Sonhei com uma casa que não conhecia.
Ela tinha muitas portas e janelas.
Mas o que me prendeu… foi uma fresta.
 
Um corte de luz atravessava a madeira gasta.
Ali, parada, o tempo parecia suspenso.
 
Pensei em tudo que já fechei.
Em tudo que deixei aberto demais.
No que escondi por proteção.
E no que revelei por impulso.
 
Fresta é esse intervalo - entre o visível e o oculto.
É a passagem onde entra a luz.
Ou escapa o segredo.
 
Em um tempo em que tudo se compartilha,
e a intimidade se dissolve em excesso,
essa coleção fala sobre o oposto:
 
sobre o que você escolhe revelar.
E, sobretudo, o que decide preservar.
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